Continuando nossa conversa sobre aplicações de Renda Fixa, hoje vamos apresentar uma aplicação muito comum, mais que ainda desperta dúvidas entre os investidores iniciantes. Vamos conhecer o Tesouro Direto.
O Tesouro Direto é uma forma de investir em títulos públicos federais. Antes de 2002, a aquisição direta de títulos públicos só estava disponível para empresas do mercado financeiro e pessoas físicas com volumes substanciais de capitais para investimentos. A partir deste ano, o Tesouro Nacional em parceira com a então BM&F-BOVESPA, hoje B3, estruturaram o programa Tesouro Direto com a intenção de popularizar o investimento em títulos públicos com o valor mínimo de R$ 30,00 (trinta reais). Tal exigência de valor mínimo foi eliminada em 18/11/2024, sendo necessário que o investidor adquira, ao menos, uma fração equivalente a 1% (um porcento) do valor do título.
Investimentos em títulos públicos federais são consideradas ótimas opções de investimento por serem garantidos pelo Governo Federal por meio do Tesouro Nacional que é considerado o devedor mais confiável do país, pois, para um governo não pagar a sua dívida, a situação econômica do país teria de estar em desarranjo muito avançado. Em outras palavras, ao adquirir títulos do Tesouro Direito, o investidor emprestará seu dinheiro ao Governo Federal e recebe, em troca, títulos digitais que o governo entrega a esse investidor que poderá ser resgatado, idealmente, na data de vencimento dele.
Alerta importante: o fato de o governo ser considerado o devedor mais confiável da economia, não significa que o risco de não receber o valor de volta seja zero absoluto. Tal risco é muito, muito reduzido, mas não é zero. Lembre-se de que o Brasil já cometeu essa insanidade para com os estrangeiros (investidores internacionais) que confiaram no governo nacional quando, durante o Governo Sarney, em fevereiro de 1987, foi decretada a moratória da dívida externa, fato esse que abalou profundamente a reputação do Brasil que demorou anos para recuperá-la. Lição aprendida, o governo não deve ter a intenção de cometer o mesmo erro novamente.
Quais as vantagens do Tesouro Direto? As principais são: bons rendimentos e liquidez diária, aspectos muito positivos para poupadores mais conservadores. Há também a flexibilidade, pois existem diversos títulos que podem ser escolhidos de acordo com a maior adequação aos planos de curto, médio ou longo prazo do investidor.
Existem cinco modelos de títulos, mas apresentaremos os três mais antigos e tradicionais. Sã eles: Tesouro Prefixado; Tesouro SELIC e Tesouro IPCA. Cada um deles tem características distintas.
Tesouro Prefixado: possuem taxa de juros fixa (por isso, o nome prefixado). No momento do investimento o aplicador já sabe o valor que deverá receber. É o título ideal para momentos em que a economia está estável ou quando está clara a tendência de queda na taxa de juros, pois estes títulos estarão com rentabilidade maior, pois o título foi emitido quando a taxa estava alta. Em momentos de taxas de juros subindo, não é favorável a sua compra, pois o investidor aceitará uma taxa que pode se revelar baixa, se a taxa de juros ficar em patamares elevados por longo período.
Tesouro SELIC: é um título público pós-fixado (isso significa que o valor efetivo a ser recebido só será conhecido no resgate do título). O valor pago a título de juros está atrelado a taxa básica de juros da economia, a SELIC, determinada pelo Comitê de Política Monetária – COPOM, do Banco Central do Brasil. É o título mais adequado para os pequenos poupadores que desejam ir além da caderneta de poupança ou para montar a reserva de emergência ou para acumular para objetivos de curto prazo.
Tesouro IPCA: título atrelado ao índice IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, da Fundação IBGE) que mede a variação mensal dos preços, em outras palavras, a inflação. Esse título paga a taxa de juros proposta pelo Tesouro Nacional mais a variação do IPCA, ou seja, o dinheiro do investidor fica protegido contra a inflação. É o título adequado para reservas visando o longo prazo.
Agora que você já conhece o Tesouro Direto, saiba que existe uma diferença entre o valor que você recebe na data de vencimento do título e o valor que você recebe na venda antecipada do título que, na verdade, significa a compra desse título pelo Tesouro Nacional. A venda, pelo investidor, do título antes do prazo sujeita o vendedor aos preços de mercado, isto é, o Tesouro pagará pelo título o valor de mercado no momento da compra e este valor pode ser maior ou menor que o previsto no título, a depender da oferta e demanda por esse título especificamente.
Estas são as informações básicas sobre o Tesouro Direito. Caso tenha interesse, poderemos explorar mais esses títulos em colunas futuras. Na próxima semana, traremos novos assuntos.
Até lá!
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Fonte: Tesouro Direto. Conheça todos os títulos do tesouro direito. Disponível em: https://www.tesourodireto.com.br/titulos/tipos-de-tesouro.htm.
Prof. Drauzio Rezende Jr - Economista e contador. Presta consultoria para Micro e Pequenas Empresas e atua como professor no Mestrado em Ecodesenvolvimento e Gestão Ambiental e em cursos de graduação da UNITAU - Universidade de Taubaté.