Temos conversado sobre a importância do autocuidado financeiro por meio de um olhar atento das próprias finanças. Isso significa que a independência financeira, almejada por muitos, só é passível de conquista por um golpe de sorte (ganho em loterias) ou pelo trabalho minucioso com os próprios rendimentos. Como não falaremos da sorte, por ser aleatória, vamos entender como construir a reserva financeira que nos dará o conforto de uma boa noite de sono e uma tranquilidade de um preparo melhor para os imprevistos.
Como comentei na coluna anterior, existem muitos produtos e serviços disponíveis no mercado financeiro. Existem muitas formas de se analisar um ativo e existem muitas estratégias desenhadas por profissionais da área. No entanto, duas considerações devem estar sempre em sua mente: 1ª. A estratégia utilizada pelos outros pode não ser a melhor para você. 2ª Você deve escolher a estratégia, os produtos e serviços que sejam adequados ao que você precisa, ao que você deseja e que você entenda.
Entender a aplicação é importante porque a dinâmica dela (prazo, retorno, potencial de ganhos e perdas) tem de estar em conformidade com a sua realidade e com a sua disposição ou aversão a correr riscos. Assim, sempre analise bem o que for oferecido, os prós e contras do produto e veja se ele está adequado ao seu interesse, pois não é porque o analista/assessor diz que o produto é bom, que ele é adequado à sua necessidade.
Aqui está uma pequena seleção de produtos financeiros. O objetivo desse texto é apenas apresentar alguns produtos para seu conhecimento, não sendo sugestão de investimento.
Contas de Poupança: popular aplicação financeira que permite aplicação de pequenas quantias contando com liquidez, isto é, a possibilidade de resgate a qualquer momento, incorrendo, porém, na perda da rentabilidade quando o saque é feito em data diferente da data aniversário da aplicação. Em momentos em que a taxa Selic está acima de 8,5% ao ano, a remuneração é fixa em 0,5% ao mês, com atualização pela TR (Taxa Referencial) na data de aniversário. Quando a Selic está abaixo de 8,5% a.a.; a remuneração da poupança é de 70% da taxa Selic.
Certificado de Depósito Bancário (CDB) e Recibo de Depósito Bancário (RDB): tradicionais títulos de captação de recursos pelos bancos. São depósitos de prazo fixo no qual a instituição financeira se compromete a pagar ao credor (o comprador do CDB ou RDB) a remuneração combinada no instrumento: a devolução do capital mais juros. Trata-se de dívida da instituição financeira com o credor e o risco existente é o de crédito, isto é, o da instituição financeira não pagar. O prazo, a possibilidade de resgate antecipado, a forma de operação (se pré-fixada ou pós-fixada) são estabelecidas no instrumento e devem ser compreendidas antes da realização a operação.
Certificados de Operações Estruturadas (COE): trata-se de um certificado com base em um investimento inicial representativo de bens e direitos. Costuma ser referenciado em algum indicador: índice de preços, índice de títulos, índice de valores mobiliários ou taxas de juros ou câmbio. É investimento de longo prazo (até 5 anos) e não deve ser feito por pessoas que não tenham familiaridade com o mercado, pois se trata de um investimento sem proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Esta é uma amostra inicial de aplicações. Nas próximas semanas continuaremos a desenvolver o assunto apresentando outras modalidades de instrumentos financeiros.
Até a próxima!
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Fonte: Fortuna, Eduardo. Mercado Financeiro: produtos e serviços. 22ª ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Qualitymark Editora, 2020.
Prof. Drauzio Rezende Jr - Economista e contador. Presta consultoria para Micro e Pequenas Empresas e atua como professor no Mestrado em Ecodesenvolvimento e Gestão Ambiental e em cursos de graduação da UNITAU - Universidade de Taubaté.