No dia em que a cidade de São Paulo completava seus 471 anos, o autódromo de Interlagos sediava mais uma edição das 1000 Milhas, a corrida de longa duração mais tradicional e longeva do automobilismo brasileiro. Desde que a prova foi retomada no ano de 2020, depois de um hiato de 12 anos, essa foi a corrida com a maior quantidade de carros no grid.
Foram 71 competidores, das mais diversas configurações técnicas e tecnológicas, de um protótipo importado como o Ligier da categoria P1 até os Volkswagens Fuscas que fazem parte da categoria Turismo Nacional Clássico, perfazendo um total de 15 classes diferentes.
A pole position foi conquistada pelo protótipo AJR-Chevrolet da categoria P1, pilotado pela trinca Pietro Rimbano, Henrique Assunção e Christian Robert. Após a classificação, a grande pergunta a ser respondida era se os protótipos, de construção mais refinada e complexidade mecânica, resistiriam às 12 horas de prova, na disputa direta com os modelos Gran Turismo, como os Porsches 911 GT3 e Cayman 718 e as Mercedes-Benz AMG GT4, mas resistentes e constantes. A largada foi dada no horário tradicional, à meia-noite.
Os 71 carros partiram para a corrida, em uma “serpente luminosa” com o show dos faróis acesos pelo traçado de Interlagos.
Em uma madrugada de muito calor no verão de São Paulo, após uma hora de prova, a chuva veio de forma intensa obrigando a entrada do carro de segurança por um longo período.
Enquanto os carros, equipes e pilotos buscavam as melhores posições na corrida, fora da pista diversas atrações entretiam o aficcionado por automobilismo que foi acompanhar a prova. Uma verdadeira “fun fest” foi montada na parte interna do circuito, com DJ´s fazendo a balada noturna, roda gigante, food trucks e trailers para a turma que gosta de acampar.
Antes da corrida, foi realizada a Mini 1000 Milhas, uma competição voltada para as crianças com mini carros à combustão. E pelo segundo ano consecutivo foi disputada a 1000 Milhas virtual, largando à meia noite com pilotos tomando parte do simulador no autódromo e em casa.
Alguns fatos interessantes sobre a edição das 1000 Milhas merecem ser destacados. Tivemos a parceria entre pai e filha no Volkswagen Gol da categoria T1, a jovem Michaela Peixoto e seu pai José Peixoto Jr. A dupla contou com a parceria do piloto Tom Costa Wagner, finalizando a prova na trigésima sétima colocação.
Tivemos a volta de um sobrenome tradicional do automobilismo brasileiro à prova: trata-se da participação de Caio Christófaro, neto do lendário “Lobo do Canindé”, Camilo Christófaro, vencedor da edição de 1966. Caio disputou a prova com o Chevrolet Omega da equipe Big Power, tendo ao seu lado os pilotos Sandro Sanches, Marcos Junior e Julio Cesar Camargo. O outro carro da equipe Big Power também carregava uma marca importante: o piloto mais jovem do grid, com 16 anos: Maurício Vilhena era o dono da marca, à bordo de um GM Vectra Stock Car, que teve ao seu lado na pilotagem seu irmão Álvaro Vilhena, Ciro Paciello e Amauri Biem.
Alguns carros geraram curiosidade do grande público, como as picapes Ford Courier da equipe Lira Racing, que já venceu a prova na sua categoria, e a Picape Chevrolet Corsa que foi apelidada de “branca de neve”, estreando na prova com a equipe Oto e capitaneada por Renato Beni. E pela primeira vez nas 1000 Milhas tivemos a participação de um veículo SUV: um Fiat Pulse Abarth praticamente original de fábrica, preparado pela equipe Manzini e pilotado pelo quarteto Edu Bernasconi, Ricardo Dilser – estes dois primeiros, jornalistas – e Roberto e Victor Manzini, pai e filho.
Após 12 horas de prova, a vitória na classificação geral foi conquistada pelo pole position, o protótipo AJR-Chevrolet da categoria P1, pilotado pela trinca Pietro Rimbano, Henrique Assunção e Christian Robert. A conquista da equipe FTR Motorsport foi marcada pela constância, uma vez que no início da corrida eles perderam muitas posições. Eles contaram na parte final da prova com uma punição do Porsche 911 GT3 da equipe Stuttgart e um acidente do protótipo Ligier da equipe Autlog, para seguir para a conquista, o segundo triunfo de um protótipo AJR na história da 1000 Milhas – a primeira vitória havia sido na edição de 2023.
Terminada a edição de 2025, começam os preparativos para a prova de 2026 que será histórica, pelo simples fato de ser a comemoração dos 70 anos desta icônica corrida de longa duração do nosso automobilismo e que começou no ano de 1956, com a vitória da carreteira Ford dos gauchos Breno Fornari e Catharino Andreatta.
Segue a lista dos vencedores das 1000 Milhas 2025 por categoria:
Classificação geral e Categoria P1: AJR-Chevrolet - Pietro Rimbano, Henrique Assunção e Christian Robert
Categoria P2 – Stock Car JL-G21 V8 – Juninho Berlanda, Lucas Amorim, Alessandro Boslooper, Felipe do Amaral e Henrique Araújo
Categoria P3 – MRX – Aldoir Sette, Bruno Bornacina, Guga Ghizo e Fabio Fichtner
Categoria P4 – Spyder-Volkswagen – Emerson Pinheiro, Rodrigo Pinheiro e Rodrigo Bianchini
Categoria PN – Spirit-Volkswagen – Daywis Gomes, Amauri Rhormens e Waldemir Hermes
Categoria GT3 – Porsche 911 GT3 – Ricardo Maurício, Marcel Visconde e Marçal Muller
Categoria GT3 Light - Álvaro Vilhena, Ciro Paciello, Amauri Biem e Mauricio Vilhena
Categoria GT4 – Mercedes-Benz AMG GT4 – Turco Melik, Cesar Fonseca, William Freire e Renan Guerra
Categoria GT4 Light – BMW M2 – Kim Camelo, Fernando Belem, Enzo Visconde e Henry Visconde
Categoria T1 – Volkswagen Gol – Marcio Lopes, Luis Antonio Santini, Alexsandro Minardi e Alexandre Camargo
Categoria T1-A – Chevrolet Corsa – Paulo Serata, Diogo Macena, Fernando Ferreira, Gabriel Oliveira e Nilson Patrone
Catgoria T1-B – Chevrolet Omega - Caio Christófaro, Sandro Sanches, Marcos Junior e Julio Cesar Camargo
Categoria T2 – Mercedes-Benz C300 – Marcelo Neves, Lucas Freitas, Carlos da Fonseca e João Boiko
Categoria T-1.4 – Carlos Barcelos, Cesar Labrea e Frederico Rebeschini
Categoria TN Clássico – Volkswagen Fusca - Andre Zamana, Paulo Zamana, Sidnei Zucatelli e Leonardo Lourenço