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Mundo Motor: A escola do professor Minelli

Publicada em 03/01/25 às 19:14h

Rodrigo Carelli


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Mundo Motor: A escola do professor Minelli
 (Foto: Paulo Abreu )
Assim como no futebol, o automobilismo tem as suas categorias de base para formação dos jovens pilotos. O caminho da carreira começa no kart, onde meninos e meninas na média de oito anos de idade iniciam a jornada em divisões como a Cadete. 

Os jovens seguem competindo no kart até o momento em que a carreira usualmente é direcionada para os carros. A escolha recai na maioria das vezes para as categorias de monoposto, também conhecidas como Fórmulas. Essa é a trilha de carreira para a chegada do piloto nas duas principais categorias do esporte a motor do mundo: a Fórmula 1 e a Fórmula Indy.

No Brasil, historicamente tivemos categorias escola de monopostos muito sólidas. A Fórmula Ford, por exemplo, foi criada em 1970 e formou pilotos até 1996. Fórmula Super Vê, Fórmula Chevrolet, Fórmula 3, os exemplos são diversos. 

Porém, desde a extinção da Fórmula Renault no final dos anos 2000 e mais recentemente, da Fórmula 3, o Brasil deixou de ter categorias de monopostos fortes e com condições de prover aos jovens pilotos os passos necessários para o desenvolvimento da carreira. No início dos anos 2010, surgiram a Fórmula 1.600 e a Fórmula Vee, que proviam um possível degrau para os pilotos que saíam do kart. Porém, por mais louvável que fossem essas iniciativas – e elas continuam a existir até hoje, com importantes funções -, ainda faltavam mais categorias para dar a “musculatura” necessária para os jovens seguirem carreira mundo afora.

Foi aí que em 2020 surgiu a Fórmula Delta, uma iniciativa do experiente José Minelli, um dos mais tarimbados profissionais do automobilismo brasileiro. O “Sr. Minelli”, como todos do meio carinhosamente o chamam, iniciou a carreira como piloto de competições no kart em 1965 e no ano de 1970 estreou nos carros simplesmente na principal prova do automobilismo nacional: as Mil Milhas Brasileiras, em Interlagos. Já em 1971 iniciou sua carreira como construtor de carros de corrida, com o protótipo Milli-Volkswagen para a categoria Divisão 4. 

Minelli seguiu com sua carreira de piloto paralelamente à de contrutor até 1976, quando deixou a arte da pilotagem para se dedicar apenas à concepção dos bólidos de competição. Minelli construiu monopostos para a Fórmula Super Vê, para a Fórmula Ford e protótipos de chassis tubular.

A Fórmula Delta já nasceu como categoria escola, homologação concedida pelo Conselho Técnico Desportivo Nacional (CTDN), com a anuência da CBA – Confederação Brasileira de Automobilismo, onde podem participar pilotos filiados como PEC – Piloto Escola de Competição. O regulamento técnico e desportivo filiado ao Campeonato Paulista de Automobilismo. A partir do seu nascimento, a categoria passou por um crescimento gradativo, a cada temporada recebendo mais pilotos e apoiadores.

A criação do Sr. Minelli, o Fórmula Delta, é um show a parte. O monoposto tem uma base de chassi tubular revestido por carenagens de fibra. A parte interna do cockpit é moldada em peças de fibra de carbono. Os pilotos têm à disposição um painel de controle instalado dentro do cockpit, da marca Pro Tune, que permite acompanhar o gerenciamento do motor e o monitoramento da telemetria por satélite de até 30 canais. Ou seja: muita informação de telemetria disponível para os técnicos, engenheiros e pilotos trabalharem. Ainda na parte do  habitáculo do piloto, o volante utilizado é fabricado pela própria Minelli Racing Cars.

Indo para a parte mecânica, o Fórmula Delta é equipado com um motor da marca Mitsubishi, modelo 4B11, de 4 cilindros, 16 valvulas e 2 litros de capacidade volumétrica, que pode debitar até 185 cavalos de potência. Essa “cavalaria” pode ser controlada eletronicamente através da regulagem da abertura da borboleta da alimentação do motor. O conjunto motriz conta com um câmbio de trocas sequenciais na alavanca, de 5 marchas, desenvolvido pela própria Minelli Racing Cars, com embreagem hidráulica e acelerador eletrônico. Para a próxima temporada, a categoria contará com um novo câmbio sequencial, mas com trocas através de borboletas atrás do volante, de funcionamento eletrônico-pneumático.

Na parte de “chão” do Fórmula Delta, as suspensões traseiras são do tipo “pull-rod”, desenvolvidas pela Minelli Racing Cars. Já as suspensões dianteiras são do tipo “push-rod” e monoshock, ou seja, com um único amortecedor. Os freios são os eficientes Wilwood importados. As rodas em aro 13 são construídas em magnésio, com a medida de 9 polegadas de tala, montadas em pneus slick de competição da marca japonesa Yokohama.

 Todo este conjunto faz o Fórmula Delta pesar em torno de 530 quilos, isso sem o combustível no tanque. A missão da categoria, com a adoção de todo este pacote técnico, é proporcionar a aprendizagem do jovem piloto em um carro com reações rápidas, que pode chegar a 225 Km/h de velocidade e completar uma volta no traçado de Interlagos em um tempo em torno de 1 minuto e 41 segundos, muito próximo ao desempenho de um Stock Car.

No que tange aos recursos que o piloto tem para acertar o carro, estão a possibilidade de ajustar a pressão de pneus, partindo de 15 libras, além dos ajustes dos ângulos das asas dianteiras e traseiras, a cambagem e o cáster. O alinhamento do carro é o mesmo para todos os carros e o motor é equalizado em potência pela Minelli Racing Cars. Com relação aos custos para um piloto participar da categoria, para se ter uma base, o pacote da temporada 2023, com 8 etapas e 4 sessões de treinos extras, girou em torno de 240 mil reais, com tudo incluso: combustível, pneus - que são trocados a cada duas etapas -, além de um valor que fica em um “fundo de caixa”, uma espécie de seguro, caso aconteça alguma avaria no carro em um acidente que extrapole o custo de 4 mil reais.

Cada etapa da Fórmula Delta conta com duas corridas, uma realizada no sábado e outra no domingo, onde a posição dos 6 primeiros colocados na corrida anterior é invertida. Os pilotos realizam dois treinos livres na sexta-feira, de 30 minutos cada, além da sessão de classificação de 15 minutos no sábado, para a definição das posições de largada. As corridas são de 12 voltas ou 25 minutos de duração, com largadas lançadas. A idade mínima para a participação dos jovens pilotos é a partir de 14 anos completos.

Desde 2020, a “escola do professor Minelli” já revelou para o mundo do automobilismo jovens valores como Pedro Clerot, Erick Schotten, Matheus Comparatto e outros. Na temporada de 2024, os campeões da Fórmula Delta foram Pietro Mesquita na classificação geral e na categoria Rookie e João Simonsen na categoria Pro e na Copa Brasil. Da turma deste ano, dois pilotos já estão encaminhados para outras categorias: Pietro Mesquita vai para a Fórmula 4 Brasil, o próximo passo na carreira dos monopostos e Maria Nienkötter, que correrá no TCR South América e Brasil, uma das principais categorias de turismo do mundo. E para 2025, a escola da Fórmula Delta continuará a desenvolver e encaminhar os jovens talentos brasileiros para suas carreiras no Brasil e mundo afora.




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